que o pior está para vir. cruza os dedos, as mãos, as pernas, os pés, tudo. depois sentamo-nos os dois nas escadas e esperamos, que o pior está para vir. e falamos, de conversas perdidas em viagens de carro aborrecidas e tardias. o pior está para vir e ninguém acredita. mas todos o sabemos. por isso, por essas ruas, gozadas de nome, por essas ruas, jardins, estradas e escadas, muita gente se senta. e desconversa a maior parte das vezes.
o pior chegou e nós não reparámos. estavamos a falar de coisas nunca descobertas nestas ruas. coisas gozadas, mas para nós o pior passou. está aqui, ao nosso lado, mas passou. passou e já sabes que vou chorar, tenho medo pelos outros. porque sei, e tu também sabes, que eles não têm medo de desconversar. mas eu tenho, tenho medo que venha uma onda e tu já não aguentes mais aí sentado. e depois eu já não vou ter ninguém com quem falar de coisas perdidas, e perdida já eu estou noutras ruas que não esta, farta de ser gozada por pessoas destemidas. e tenho medo de me sentar, perdida, e desconversar.
qualquer dia vem uma onda e leva-me a mim.



