2010-03-07

guardei-me

sempre que rasgo uma folha e pego numa caneta, eu sei que sai de mim qualquer coisa. tomo isso como garantido, porque, transparente até mais não, sempre deixei sair todos os sonhos que comigo queriam voar. mas agora, agora tenho medo. não quero voar contigo muito alto porque, com vertigens até mais não, foi assim que me fizeram, e o pavor a cair redonda no chão arrepia-me. arrepios enormes que por estes dias têm sido maiores que os que o sonho me provoca, infelizmente.
sonho pequenino, voa comigo rasteirinho, a puxar-me pelas asas. transparentes até mais não, podemos dormir em postes de electricidade e esplanadas de café sem ninguém nos ver. basta irmos juntos e rasteirinhos, no silêncio que só o papel nos trás - e como já provámos dele, sonho pequenino. sempre que rasgamos uma folha.

6 comentários:

Nuno, apenas Nuno. disse...

Tu és magnífica :)

Liliana disse...

escreves muito bem !

Davie disse...

sai de ti maravilhas, isso posso garantir. eu vou fazer uma pausa na escrita, pelo menos na forma como escrevo. demasiado directa.

ps - estou contigo na petição para o Sol voltar.

Niqui disse...

lindo *o*

Ana disse...

Não posso ser senão de extremos. (E tu também deverias ser. Afinal uma queda, é só uma queda, por mais alta q seja)

'stracciatella disse...

Algum dia terás de perder o medo. Caso contrário, poderás vir a perder outras coisas.