2010-10-15

tenho dito, um bocadinho diferente

é bom estar de volta, mesmo quando sozinho num mundo que não o teu. (procuro urgentemente hotel não muito caro onde deixar o meu coração porque o resto foi de férias)

2010-10-13

BISCAS BANANA

esta é para a biscaia. não me interessa se pessoal. esta é para a biscaia, porque se hoje não fosse para ela nem sequer ia ser hoje. para já, NÃO GOSTEI de ir com os joelhos contra a quina de madeira da cama que está no canto esquerdo lá a frente ao pé da janela, porque uma pessoa quando chora merece dignidade! mas gosto muito de saberes porquê é que faltei às aulas hoje e nem tomaste o pequeno almoço com a minha mãe. também gosto muito de te impingir almoços com tangerinas, e gosto muito de dançar à monga contigo. hoje vou mesmo dizer a porcaria toda que a gente faz, até os teatros no meio da rua. assim não te ligo a deprimir pela vigésima quinta vez esta semana (número real). lembraste do velho dos pombos? e do saco do pão que te está neste momento (caraças pó pão) a mutilar o dedo? e de dançar à chuva a dança da melonga até à Igreja? já chega, vá.esta é para ti, e dispenso lamechices porque os meus olhos andam sensíveis (juro que é das lentes). quando for aí a casa vais ficar sem o calendário geológico.

2010-10-12

sou para ti, pequenino.

olá pequenino. como sabes, sais à tia e tens bicho carpinteiro. sei perfeitamente que só tu me compreendes (ai de ti que digas ao pai!), e agora que já sabes disto das palavras, tens mesmo de saber o que elas vão contar para ti. elas são como tu, e como eu: têm bichos por tudo quanto é sitio, coçam o nariz, dão cambalhotas, brincam com as pestanas, tremem os joelhos, coçam o nariz, brincam com os lábios, mudam de posição e dão cambalhotas. mas vais ter que tentar ser como elas quando tiram as pessoas do escuro, quando fazem os olhos de pessoas como nós brilhar (e sem ter de olhar para o sol!). um dia, as palavras vão desiludir-te, quando fores mais moço que menino. mas não lhes ligues - sabes como são distraídas. vai chegar a altura, também, em que os teus amigos, mais moços que meninos já, vão precisar de ti. e não vai ser para brincar à apanhada. aí, não ligues a quem te diz mais menino que moço, porque vai ser tempo de seres homem; pede ajuda às palavras. vai chegar ainda um minutinho, talvez apenas uma dúzia de segundos da tua vida que vão ser os mais importantes da tua existência. vais conhecer uma menina (se fores homem das ciências perceberás que componentes reagem aí dentro), uma princesa, por quem vais ter de ser capaz de acordar cedo e perder o teu programa de televisão preferido. ainda por cima, as donzelas costumam ter um feitio danado. não lhe ligues: vais saber-lhe a distracção de cor. já te contei, antes de adormeceres, porque é que fiquei para tia, só para ti. haja o que houver, quantas semanas forem, e quantos berros deres no meio de discussões: não sejas como eu, nem como as palavras.

vá lá

vem princesa, e deixa o teu coração sonhar

(aladino)

2010-10-11

atchiiiiim

quando eu espirro (e acabei de espirrar) lembro-me do meu avô. que está lá, na casa dele da outra banda a tratar dos cães dos vizinhos, e que diz que eu sou má, e nunca lá vou aprender a andar de bicicleta, e que quando cá vem me tira o ar com os abraços cheios de dor do reumatismo (artrite?). o meu avô que atura a minha avó com as rastas que ela põe e com as idas ao ginásio, que vai dar uma panela de pressão à minha melhor amiga quando ela casar, daqui a muitos anos porque namorar faz bem à saúde e a faculdade também conta. quando eu espirro tenho de ser feliz, porque uma pessoa tem de sorrir para o esforço, diz ele, que só tem rugas de felicidade (não tem sequer aquela entre as sobrancelhas, é de rir de barriga cheia). espirro pouco no verão. porque é que nunca me amo no inverno?

2010-10-10

porque hoje me dói o ouvido

o nosso amor é como a família - não se escolhe. o que me leva a perguntar onde estarão aqueles que andam de família de acolhimento em amor não biológico, e onde estão todos os que se chatearam com aqueles, que estando cá dentro não se escolheram, para sempre. os que como eu se cingiram ao quarto do fundo, ao anexo da casa. que nem a uma data de início com tantos anos de bagagem têm direito. que, ficando com as meias rotas e isso tudo, não deixam de se sentir orgulhosos daquelas pessoas que não escolhemos e que muito menos nos escolheram a nós, e de ganharem o dia com sorrisos sem olhos nem dentes entregues a quem precisar de menos de meio segundo de alegria.

2010-10-06

nunca sei dos travões

podias-me ter dito é a frase que mais me ouço dizer. à minha mãe, ao meu vizinho, àquele amigo esquecido duas ruas abaixo. mas a mim mesma. um tumtum desesperado, e um pfff de remédio que tem de ser feito, só porque sou distraída e a maior parte das vezes, de alma leve e grata. podias-me ter dito que já não havia manteiga, podias-me ter telefonado antes de adormecer, podias ter-me dito que mal uma distância de mais 10 km iamos desaparecer da vida um do outro. podiam-me ter dito, as árvores, as escadas onde escorrego todos os domingos chuvosos, o Jardim Zoológico (não, à 2ª não vai ser de vez), os croissants aquecidos que ias crescer mais que eu, a velha do papel higiénico que nós as duas não iamos dançar mais à chuva. podiam-me todos ter dito que ia ser assim, e provavelmente cairia exactamente no mesmo sitio, mas já não tinha desculpas. podia ter-me doído a anca, estar mais sensível por causa do período, ter um chapéu-de-chuva amaldiçoado; tinham-me dito.

2010-10-03

ainda estou para perceber

hoje, que toda a gente fala da chuva, eu digo-te, o nevoeiro é muito mais além. sentada com um anormal, fria da chuva, a casa de portas partidas e paredes doentes tomava as formas que bem quisesse. isto porque o nevoeiro é meu amigo. isto porque a capela molhada continua a ser acolhedora, e um amor vazio continua a ser mágico. hoje não sei que escreva, porque a chuva passa a vida a trair-me. antes eu até me sentia bem. uma manta azul e cabelos molhados porque pessoas normais hão-de sempre ser chatas, e eu a modos que estava contente. mas o nevoeiro dissipou. afinal tinha mesmo voltado a ser quem era, onde sempre fui. bolas. raios partam o nevoeiro.