2011-01-28

amor é #10

ter histórias para contar.
(aquela fotografia maravilhosa do par perfeito a dançar à chuva não é um mito, não senhor)

2011-01-15

de qualquer coisa

'pareces a alice no país das maravilhas. é como se tudo estivesse sujo, o chão cheio de cigarros, as pessoas cinzentas e tu sorris, como se estivesses a ver a Amadora pela primeira vez.'
(juro-te que, aí, vi tudo pela primeira vez)

2011-01-06

recibo de sentimentos

1500 1,2,3, macaquinho do chinês
1500 valores e princípios devidamente hierarquizados de acordo com a pessoa que achamos ser e ter de ser
1500 livros antigos e raros e cheios e belos
1500 murros na parede
1500 copos partidos
1500 sorrisos com dentes com tudo
1500 bolhas nos pés
1500 lápis arco-íris para a alma
1500 folhas rasgadas
1500 banhos-de-lua
1500 tostas de queijo e mel
1500 saudades propositadas
1500 miminhos de Deus
1500 comprimidos de paracetamol para as dores de cabeça
1500 danças à chuva
1500 napolitanas de chocolate
1500 lances de escadas
1500 lentes de contacto
1500 palavras dos olhos

REEMBOLSO REACTIVADO
A pagar: um coração e meio
Troco: felicidade não-perigosa ilimitada entre utilizadores da mesma rede

(sim, porque a maior parte das metades dos corações que andam por aí acham a felicidade um cargo de alto risco, tratando logo antes de mais de garantir a sua morada, hipotecada ou não, numa das 1500 ruas da amargura. ora se eu já paguei isto tudo, vão-se lixar com f (vulgo, foder) se acharem que eu (ou qualquer eu que seja) não posso sair porta fora e ser feliz (é que o Sol brilha e fá-lo só para mim), sem querer sequer saber o porquê da felicidade me perseguir. guardo sempre uma dízima de carinho para o que me persegue, sabes?
é só uma coisa: já pagámos todos muito. portanto, sejam felizes, não vão ser liquidados por isso.)

2010-12-22

amor é #9

quanto te perdi disseram-me com palavras dóceis e inférteis que continuaria a ter-me a mim, aos meus livros antigos escrevinhados nas margens e às minhas próprias palavras (diriam com isto que continuaria a viver?). num rasgo de boas aventuranças e num olhar em frente expirado acreditei que sim e fui saltitando pelo meio do que achei ser um vazio manchado de insectospretosdaquelesquevimosaoacordar e 'technicolores' (era assim que aparecia nos lápis, que culpa tenho eu de aparecer assim nos lápis?) extenuantes, entre palavras soltas e desconfiadas aqui e ali, por todo o meu mundo esverdeado que é um bosque de Alice palpitante. 
agora que te ganhei de novo, ainda que apenas uma inspiração momentânea por só estares aqui a trocar umas lâmpadas (juro que os teus olhos me fazem uma imensa comichão assim pregados nas minhas costas curvadas e nos dedos mindinhos dos meus pés por estar quase quase a voar neste espaço branco aqui tão perto), sei que todos os meus livros antigos escrevinhados nas margens e todas as minhas palavras, mais ou menos próprias, se foram no dia em que te perdi. e, cheia de boas aventuranças e num rasgo de sorriso inspirado, i'm all about love.

2010-12-21

raspadinhas

tens liberdade para alguma coisa. não ta deram para andares preocupado com o tipo que coisas que deves ou não pensar, com o tipo de relações que deves ou não ter. quando, na flor da idade, te dão a liberdade das chaves de casa, ou seja, a liberdade de sair porta fora e ir por um caminho qualquer, conhecido ou não, acompanhado de máscaras ou de pessoas com quem és o teu eu-verdade, há que aproveitar. podes fazer o que quiseres, mas não deixes de fazer. não deixes de o fazer porque o dia que vem tem de ser assim meio-assado, porque está na altura de arranjar casa e homem próprio, porque não gostas da rotina. não deixes que o teu cérebrozinho do século XXI, cheio de moral, ética e comodismo (ou não!) tire de ti a liberdade que ainda nem teve o tempo e o desenvolvimento das papilas gustativas suficiente para se apreciar. também não estou a dizer para não deixares de fazer o que não te apetece só porque tens sono e os olhos inchados de chorar ontem à noite. não te estou a dizer para não deixares de estragar relações só porque a tua sede de amizade ou fama ou orgulho (ou sei lá o que se sente por aí) é demasiada para conter cá dentro. é só... se te apetece ir dar uma volta maior, boa viagem do fundo do coração.

2010-12-16

glance

- e trocaram olhares assim muito depressa, levantaram-se da mesa tudo muito depressa muito sofrêgo quase que apaixonado vai na volta ele assim muito depressa soube que...
- pois, e então claro que ele disse...
- ouviste o que eu disse?
(não. ouvi-o dizer que tinha comprado um relógio novo e vi-o de relance no pulso pontoado a ossos perfeitamente esculpidos pelas minhas mãos, o relógio que lhe dissera para comprar e que era lindo de morrer, que havia de ser herança de família se ele a minha, reparei-lhe de fugida no trajeito da boca quando sobe o pescoço, acho que tinha o botão do casaco meio descosido, eu que adorava aquele casaco às risquinhas azulinho lindo lindo)
- sim, tudo muito depressa..
- achas normal?! depois vem dizer-me que sou a mulher da vida dele, uma manhã depois de eu ter adormecido a chorar o meu cérebro todinho em conjunto com a matéria de biologia, vem dizer-me isto tudo e depois é claro que para além de cérebro fico sem coração, sem norte, sem sangue nos pés, vem dizer-me isto tudo, achas normal?
- acho terrível, acho terrível...
- estás mesmo a ouvir?
(não. acabei de reparar na ferida que tem no nó do indicador direito, provavelmente foi contra um poste, anda sempre tão sem pés na terra... deve ter sido hoje que tem o bolso do casaco, aquele casaco lindo lindo, um bocado descosido, foi um puxão qualquer, se calhar assaltaram-no, ai meu Deus que o assaltaram, ai se ele se magoou, ai meu Deus que horror que vida)
- sim, não me estás a ver olhar para ti?
- estou estou, estou estou! mas pronto, o que é que eu faço?
- vais comigo para a aula que já entrámos e não foi neste pavilhão...
- não é este o pavilhão?
(não. mas ele tem alemão aqui...)
- és sempre a mesma, sinceramente!
(sinceramente, quando é que começo a olhar de frente para a (minha) vida?)

2010-12-11

és o meu Natal

mesmo que estas palavras sejam um pouco atabalhoadas, devido à roda de histeria e emoção que me fizeste viver a partir do momento em que senhora da loja me deu os parabéns porque eu a rir a rir a rir e a dizer que te queria muito muito ir ver (hoje sonhei que se não dissesse muito muito não sentia de verdade), todas as outras, formais, inspiradas, violentas e docinhas, são todas tuas. todas. e sejas o que fores quando cresceres, o teu nariz irrequieto não me deixa mentir quando digo que vais adorar pintar macacos e corações em panos sujos para depois irmos os dois jogar à bola (vais é rir-te à gargalhada). és o pleonasmo mais fofinho e pequenino e amoroso que eu conheço, e um dia vais ver como as figuras de estilo são a minha vida.