EU QUERO APAIXONAR-ME SEM RECORRER ÀS MENSAGENS TECNOLÓGICAS.
2009-12-19
2009-12-14
meias da avó Eduarda
e hoje venho aqui sem meias palavras. sem meias medidas, meias bias, meias flores. sem meias, estou descalça. estou descalça, e até sabes o quanto gosto de andar por aí assim. portanto, é porque gosto disto assim, descalça, com todos os meios corações juntos e apertadinhos. eu sei ser. e ser feliz é isso. andar descalço, juntar metades e fazer delas cabeça, tronco e membros. no fim do dia, ser feliz é uma definição qualquer entre o comodismo, o amor e a ambição. de qualquer das maneiras, a ambição disse-me olá. o amor veio e deu-me dois beijinhos, o comodismo apareceu e puxou-me para o colo. e eu, descalça, por entre o tímida e o extasiada, fui feliz às metades.
2009-12-10
perfect christmas wish
estava sempre a desenhar flores. a esferográfica azul, flores numa folha de linha, desajeitadas. dizias sempre que eram bonitas, flores de campo não se fazem alinhadas. e eu estava sempre a desenhar flores, e tu fazias outra coisa qualquer. adivinhava-te, em folhas de linhas não floridas, a dobrares arte por entre os teus dedos grosseiros. bonitos, que dedos trabalharadores não se fazem alinhados.
'mania de dobrares papel', refilona. desconcentrava-me esse som dos meus rascunhos floridos.
'mania de o escrevinhares', e beijavas-me na nuca, adivinhando-me os arrepios.
com o tempo desabituaste-te a espreitar os meus papéis floridos, para depois os vires pedir em alvoradas seguintes. eu dava-tos sempre, na esperança de em vez de rosas, me dares girassóis de papel. e foi num seguimento dessas manhãs esperançosas, despois da emancipação feminina da lição 60 e tal da aula de história, que me disseste que me querias arrepiar até deixar de fazer flores em folhas de linhas. que, apesar de nunca termos sido alinhados com o vento, nos querias a voar em campos de girassóis desajeitados. foi aí que eu comecei a escrever-te em pretérito imperfeito, que de contradições percebo eu.
2009-12-07
tenho o colestrol elevado
sim, eu já perdi. mas, no fim do dia, és só mais um jogo que insisto em jogar, que vou perdendo, jogando, deitando as mãos à cabeça, sonhando e jogando outra vez. isso da pureza, dos campos com flores e do sal do mar nos lábios não se compara a ti, meu jogo preferido, era o que diriam se me vissem aqui, agora. mas há quem saiba que só te jogo por pena de deixar passar, sou possessiva, passiva-agressiva. e tu és um jogo de cartas monossilábico.
2009-12-05
keep your fingers crossed
que o pior está para vir. cruza os dedos, as mãos, as pernas, os pés, tudo. depois sentamo-nos os dois nas escadas e esperamos, que o pior está para vir. e falamos, de conversas perdidas em viagens de carro aborrecidas e tardias. o pior está para vir e ninguém acredita. mas todos o sabemos. por isso, por essas ruas, gozadas de nome, por essas ruas, jardins, estradas e escadas, muita gente se senta. e desconversa a maior parte das vezes.
o pior chegou e nós não reparámos. estavamos a falar de coisas nunca descobertas nestas ruas. coisas gozadas, mas para nós o pior passou. está aqui, ao nosso lado, mas passou. passou e já sabes que vou chorar, tenho medo pelos outros. porque sei, e tu também sabes, que eles não têm medo de desconversar. mas eu tenho, tenho medo que venha uma onda e tu já não aguentes mais aí sentado. e depois eu já não vou ter ninguém com quem falar de coisas perdidas, e perdida já eu estou noutras ruas que não esta, farta de ser gozada por pessoas destemidas. e tenho medo de me sentar, perdida, e desconversar.
qualquer dia vem uma onda e leva-me a mim.
maçã de adão
tenho medo de vazios, odeio preenchê-los desta forma. detesto pensar assim, que os vou sentir para sempre. chego a ter pena de mim por não perceber que o quê crucial das mãos não são os dedos esguios, o tom de pele e a beleza apresentável das unhas, às vezes roidas. mas que o ponto culminante da sua magia é mesmo o facto de não estarem sempre presentes, como tentáculos apaziguadores.
sei de mãos que se foram já, duvido que alguma vez se tentem por estes lados. mas não tenho muitos problemas com isso, visto pelo prisma do 'vai ser bom, não foi?', que mãos temos pouco tempo para andar acorrentados a elas pelas ruas. e se andamos, somos então transeuntes desesperados por pontas soltas de carinho e atenção. sei que não gostas de afectos, mãos acorrentadas desde tempos muito menos, mas adoro ter as mãos pousadas no colo e ver as tuas trabalhar, soltas e leves, para mim.
2009-12-03
2009-12-01
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