e eu estava ali, sentada no muro, foste tu que fizeste isto tudo, foste a chapada na cara, a delicadeza inocente, a pedra a ferver, queimaste-me, pedra parva, queimaste-me, e agora o meu coração ficou não-estático, eu que gostava do silêncio, eu que nunca tinha sonhos iguais e podias tirar o cavalinho da chuva que não ia ficar maluca nem virar o cronómetro, mas agora estou ali, sentada no muro, tu não me vês, houve qualquer coisa em ti que mudou, agora és linear, eu que adormecia tão bem no teu balancé, partiste o pé, mas já me viste a fazer poesia? olha para a frente e vai a correr, eu estive ali sentada no muro, já corri essas voltas todas, saltei em poças sem molhar o cabelo porque tinha um gorro novo, mas depois cai de cara e a máscara saltou também, estivera antes sentada no muro que as formigas não sabem ver humanos porque não têm vida para novelas mexicanas, e eu também não, odeio televisão, mas já me viste a fazer poesia? sai da frente que eu quero-me deitar, para ter sonhos iguais, jurei eu para nunca mais, mas já me viste a fazer poesia? e tira o cavalinho da chuva, está a chover e eu estou sentada no muro, virei o cronómetro, estou maluca.
2010-01-15
2010-01-10
eu vou estar nas bancadas. ou não
tomar decisões é das coisas mais enfeitiçantes do mundo. digo, se fosse uma desnaturada com as palavras, o mais certo era começar a dissertar sobre a emoção mais poderosa que sabiamos pertencer-nos. tomar decisões. pena elas serem as melhores amigas da flor cá de dentro, que é a coisa mais timida que eu conheço e não me deixa dizer nada da boca para fora.
mas a flor concorda comigo quando digo que tomar decisões é magia. seus criticos de circo, estou para ver o vosso número tresloucado em comparação com o mágico que enche bilheteiras e é empresa de mudanças de corpo e alma. ele não quer mudar o mundo, mágico que é mágico como ele só quer tomar decisões. mágico que é magico como ele só quer mudar alguma coisa. e vocês, meus caros fala-barato?
quentinho
2010-01-08
amor é #3
casa. dançar o rock n'roll, ver o arco-iris e saltar para um monte de folhas secas. paz, ler do mesmo livro, estar na mesma página. pode ser um na primeira e outro na última, vá. angústia. verem o nosso nariz vermelho, os olhos inchados e a cara manchada, mas darem-nos beijinhos nos olhos de qualquer maneira. é imprudência, comer na cama e não se lembrar que as migalhas fazem cócegas nos pés, dizer ao pai que já não é o único homem nesta vida, homem de H maduro e nosso. amor é pressa mas deixa andar. é raiva e deixar-te esmurrar-lhe o peito porque sabe que precisas dum saco de boxe que dê beijinhos. amor não é fazer directas e faltar às aulas. amor é fazer directas para ver o nascer do sol e faltar às aulas para ir a um museu.
2010-01-05
geleia podre
acaba por ser o mesmo que tomar banho numa galeria de arte. é tudo tão mais pessoal. fogo, aprende que sedução não é comigo, nem vice-versa. experimenta queimar-te, molhares os lábios com a lingua e sentires que o doce da tua boca já se foi. não és menino de bronze, qual ouro metálico. trapos, diz melhor com o meu cabelo. restos de tule a esvoaçarem pelas minhas pestanas. e uma garagem qualquer, cinzenta, farrusca dos anos e travagens. sedução não diz com o meu cabelo, faz parecer uma boneca esturricada. só te faltava isso, fala francês agora. fogo, deixa-me, tenho o nariz entupido e não consigo dizer os r's carregados de amor de almofada. romanticida, nem de tocar piano de lembras, nem de como os teus olhos brilhavam com a àgua suja do Tejo. deixa-me, que não te (re, amor de almofada)conheço e o doce de ti já foi.
2009-12-31
tenho dito #4
NÃO SEI O QUE QUERO PARA 2010.
(podem ter peninha por ser uma inresolvida e darem-me tudo do melhor que têm para dar? ;)
(podem ter peninha por ser uma inresolvida e darem-me tudo do melhor que têm para dar? ;)
2009-12-29
mim para mim
tenho raiva de ti por nunca me deixares contar o que passamos juntas. mais, tenho raiva de ti por só tu, flor feia, saberes tentar enfeitiçar com palavras. mas não penses que te vais esconder sempre atrás de mim. aprende a ver a vida de frente, menina, e não só o céu. aprende de uma vez que o mundo onde vives já não gosta de flores de campo, não que queira que deixes de o ser. gostava era que não te escondesses atrás de mim, cosmopolita assumida, que se tem de deixar levar pelos teus devaneios suaves e frescos.
tenho raiva de ti por nunca me deixares contar o que passamos juntas. flor feia, a vergonha é moda antiga, e apesar de durona, sei partilhar. ela herdou de ti o cabelo selvagem que não sabe se liso ou ondulado; mas por mim, consegue erguer o seu pulso firme. não sou assim tão má como me pintas - e como gostas de pintar, Céus - e, quer queiras quer não, somos uma só, de cabelo selvagem e pulso firme. não uma só como amantes cegos e lamechas, mas uma só. literal e figuradamente. e por isso te digo: não é assim tão mau seres-me, flor feia.
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