2010-01-25

o outro lado

afinal era isto que tu querias. já passou, era só fome, comeste e o ovo estrelado que abres na esperança de cozido soube-te bem, as marcas das lágrimas sabem-te bem também já que isso não reflecte vazio algum, era isso que tu não querias, o vazio é frio apesar de Verão quente, ficou uma alga presa ao teu pé, pegaste-lhe na esperança de ser ele a dedicar-te amanhãs, mas a maré baixou e a alga foi, o sol dos dias acabou e as marcas das lágrimas já não te sabem bem porque te sentes salgada de mais, agarras-te às contas de somar e foges que eu sei lá das letras que te fazem cócegas nas costas, foges que te pelas, de quê, sei lá eu.
afinal era isto que eu queria, não saber mais de ti, gostar de Invernos violentos e deixar o sol dos dias, para ti noites, ir, prendo as letras para mim concretas depois de descobrires que não tenho cócega alguma, não gosto das tuas costas sempre tão esguias e divertidas, a somar a isso ainda me chapas a cara, mas porquê, e sei lá eu.
afinal era isto que nós queriamos, vivermos os dois e não sabermos de nenhum, deixar os dias com o sol e fechar os estores partidos, deixarmos de lado a praia e sujarmos a cozinha com ovos estrelados em azeite, para comermos cada um no seu chão marcado com algas de marés que já foram, e mesmo assim dizes que me amas, vê lá vê.

6 comentários:

Ana disse...

Margarida. Tu fascinas-me.

Rita da Maçaroca disse...

Opah nao há hipotese :) E' sempre uma maravilha vir aqui... Tempo muito bem gasto^^

Beijoca

Nii disse...

Oh que querida :')
Obrigdaaa*

«afinal era isto que eu queria, não saber mais de ti, gostar de Invernos violentos e deixar o sol dos dias» , tão lindo :$

Maria Francisca disse...

Acho que a maré baixou.
Eu fico aqui a perdurar, pode ser? Invernos com Sol e Verões com chuva.
Promessa do dedinho e sopro por cima.
Gosto de ti.

Maria Francisca disse...

Acho que juntas o tempo é sempre um fiozinho.

oasis dossonhos disse...

Parabéns por esta escrita promissora. É bom ler o que a Margarida escreve, com o vigor e a ternura próprios da descoberta do Mundo, da respiração do sentimento, da beleza criativa que as palavras transmitem.
Bem Haja!
Luís Filipe Maçarico