2011-05-17

amor é #11

e o amor é, a partir não de hoje mas de há já algum tempo que não te disse, eu a amar-te todos os dias numa coisinha minima diferente seja cada um dos sinais que descubro na tua cara seja a tua cara quando te chateias comigo e fazes crrrrrrrrrck ao meu coração; o amor é e já foi nós a amarmo-nos sem saber numa distância de paredes grossas de salas de aula antigas para quem devia aprender na rigidez de um pátio, nós a amarmo-nos nos nomes feios e nas torturas meio a brincar (nunca sei se meio a brincar se meio a sério); e o amor vai ser as pessoas a descobrir que ainda há estúpidos como nós, num amor que sobrevive autista e cheio da ciência da parvoíce e da falta de razão, ainda há estúpidos como nós que se empurram e gritam meio a sério (nunca sei se meio a sério se meio a brincar) e dão beijinhos de todas as maneiras e feitios que lembram ursinhos abandonados e países longínquos. dado está que o amor é, meio a sério meio a brincar sem tirar nem por, os nossos beijinhos que vão mudar o mundo que nesse dia vai aprender a cantar monocórdicos a abanar os tótós da cabeça, e a sorrir ao ver que ser e amor é, a partir daí mas de há já muito tempo, praticamente o mesmo tirando as letras e a conjugação.

2011-05-08

quando te olho nos olhos é mentira

o sitio mais bonito do mundo é o canto dos olhos. ainda falam nos cabelos loiros e na solidariedade jovem, mas isso passará. todos vão ver: o sitio mais bonito do mundo é o canto dos olhos. não há ponto algum de emoção estampado no olhar de estranho que seja. fixa o canto dos olhos, o sitio mais bonito do mundo, e talvez encontres então o esgoto de sentimentos dos olhos humedecidos em questão (olhos brilhantes não existem: convençam-se! apenas se trata de um reflexo de lágrimas no canto do olho com o sol tão lindo lá em cima, que não se pode olhar de frente, e nos faz lembrar uma tia que morreu. a tia saltava sempre que via um bicho e depois desfazia-se em gargalhadas, olhava para nós pelo canto do olho, o sitio mais bonito do mundo, estampado em cumplicidade, ia para dentro da cozinha e na volta um bolo sonhado por ela no meio de cantorias desgarradas.)
tenho um sério problema existencial dado que gosto muito de crianças e me volto sempre para elas na rua e sorrio sempre muito e elas nunca olham para mim! no outro dia voltei-me, muito chateada, a refilar com o chão que tudo viu. e quando os meus olhos baralhados a tentar pousar no chão passaram levemente por aquela bonequinha de tranças pretas atentaram naquele pequenino cantinho do olho, o sitio mais bonito do mundo, e ela a julgar-me os cabelos, a gabardine, o andar destrançado.
e foi então que todas as pessoas repararam que o sitio mais bonito do mundo são os teus cantinhos dos olhos. eu não vi o amor de frente.

2011-03-23

quarta-feira

funeral é como que um dia fora da vida em que morres com a pessoa que perdeste, para a ajudar a ir.. para onde devemos todos chegar.

2011-02-26

é?

e ficou para sempre na memória a recordação daquele dia de sol de inverno que aquecia os cabelos mas não a mão que passaste na minha cara enquanto dizias és tão bonita e eu fechando a boca com muita força com medo de que o estomâgo não se segurasse e as pernas não se aguentassem e os olhos saltassem das órbitas já que todo o universo o fez e foi por isso que o planeta deu um pulo nesse preciso momento, mas como és não uma pessoa distraída mas uma distracção pessoal, não reparaste e os teus dentes continuaram a sorrir para mim como se o primeiro dia em que ora bom dia e nunca mais me largavas. acontece que agora já não eu uma flor mas tu, a minha pessoa sim uma personagem fantasiosa qualquer, que teima na reforma das nações para um estado unificador de alegria, bondade e comunhão com a natureza, e que apanha a mesma flor todas as manhãs para a usar o resto de todas as noites, por lhe adorar as cores.
quando o teu coração me fala disfarçado pelos teus dentes pelos quais eu juro que não tenho fixação alguma, é tudo isto que me apetece dizer e falar e conversar aos beijinhos, mas e se o estomâgo não segura as pernas não aguentam e o os olhos saltam, coração?

2011-01-28

amor é #10

ter histórias para contar.
(aquela fotografia maravilhosa do par perfeito a dançar à chuva não é um mito, não senhor)

2011-01-15

de qualquer coisa

'pareces a alice no país das maravilhas. é como se tudo estivesse sujo, o chão cheio de cigarros, as pessoas cinzentas e tu sorris, como se estivesses a ver a Amadora pela primeira vez.'
(juro-te que, aí, vi tudo pela primeira vez)

2011-01-06

recibo de sentimentos

1500 1,2,3, macaquinho do chinês
1500 valores e princípios devidamente hierarquizados de acordo com a pessoa que achamos ser e ter de ser
1500 livros antigos e raros e cheios e belos
1500 murros na parede
1500 copos partidos
1500 sorrisos com dentes com tudo
1500 bolhas nos pés
1500 lápis arco-íris para a alma
1500 folhas rasgadas
1500 banhos-de-lua
1500 tostas de queijo e mel
1500 saudades propositadas
1500 miminhos de Deus
1500 comprimidos de paracetamol para as dores de cabeça
1500 danças à chuva
1500 napolitanas de chocolate
1500 lances de escadas
1500 lentes de contacto
1500 palavras dos olhos

REEMBOLSO REACTIVADO
A pagar: um coração e meio
Troco: felicidade não-perigosa ilimitada entre utilizadores da mesma rede

(sim, porque a maior parte das metades dos corações que andam por aí acham a felicidade um cargo de alto risco, tratando logo antes de mais de garantir a sua morada, hipotecada ou não, numa das 1500 ruas da amargura. ora se eu já paguei isto tudo, vão-se lixar com f (vulgo, foder) se acharem que eu (ou qualquer eu que seja) não posso sair porta fora e ser feliz (é que o Sol brilha e fá-lo só para mim), sem querer sequer saber o porquê da felicidade me perseguir. guardo sempre uma dízima de carinho para o que me persegue, sabes?
é só uma coisa: já pagámos todos muito. portanto, sejam felizes, não vão ser liquidados por isso.)