2010-02-16

ele sabia que o que tinha em casa já não era mais a pequenina que fugia dele e se despia nos centros comerciais. sempre teve medo do que ia saber se tentasse descobrir o que ela fazia da vida depois de lhe saltar para cima e lhe fazer cócegas nas dobras dos joelhos, para depois arranjar o cabelo, cantarolar um verso qualquer em jeito de despedida e subir a rua que ele já subira vezes sem conta, depois de lhe despentear o cabelo amachucado entre os lençóis. apesar de lhe saber de cor o gosto esfusiante e a fobia a hábitos integrantes, tinha medo que ela algum dia deixasse de esconder esparguete cru debaixo da secretária para o ir comer enquanto pintava prendas de aniversário, por meio de versos em jeito de até para o ano.

adivinhava-lhe a presença pela voz estridente que tantas vezes lhe debitara matérias nem sabia quais, mais monólogo que diálogo fogoso. percebia-lhe o mau humor quando a via de cócoras na dispensa à procura de réstias impensáveis de chocolate.

mas temia por ela, que de gosto esfusiante estava cheia, e adivinhava-lhe os sonhos amazónicos e devaneios a um passo de se realizarem. tremia no alto da sua barba mal feita quando esta lhe cantarolava versos, pelo terror da despedida.

5 comentários:

Maria Inês disse...

nao posso responder a isso.

Maria Inês disse...

foste mesmo muito querida, agora. :')

Ana disse...

Talvez ela também o amasse, à maneira dela, em jeito de despedida.

filipa disse...

está fantástico margarida <3

Isa disse...

as despedidas podem ser novos regressos.
está... ''eish fantástico'' :)
um beijo lá do mundo dos sonhos